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Sobre eleições e revistas

19 de abril de 2010

Espero que ao menos a uma parcela dos 500 mil leitores da Veja a capa desta semana tenha causado qualquer uma das espécies de estranheza existentes na fauna do senso crítico.

Para que meu comentário não fique tão tendencioso quanto as colunas do Diogo Mainardi (afinal não é esta uma discussão política, e sim editorial), segue apenas a comparação da capa do sorridente pré-candidato da edição atual (à direita) logo ao lado de sua mais sombria e menos colorida concorrente, em edição de dois meses atrás (24 de fevereiro).

Detalhe para as chamadas na capa da Dilma – “a candidata e os radicais do PT” – e as concisas de Serra – “Serra, o pós Lula e blablabla”.
(Clicando na imagem ela amplia)

Sem mais.


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Três coisas que você deveria saber sobre as operadoras de celular mas nunca te estimularão a perguntar

6 de janeiro de 2010

Houve um tempo em que a moda era roubar tênis. Mas aí abriram o mercado brasileiro às importações, a criação do real aumentou o poder de compra, tênis deixou de ser artigo de luxo e a modalidade perdeu a graça.

A moda era também roubar carteira. Mas depois que os cartões se difundiram e as pessoas passaram a não andar mais com dinheir0 nem para a esmola, roubar carteira virou treinamento pra moleque.

A moda depois então virou fazer sequestro relâmpago. Ou seja, botar uma arma na cabeça daqueles que têm cara de quem anda com cartão e não com dinheiro, levar pro caixa eletrônico e mandar sacar tudo o que tiver e não tiver. Mas aí limitaram o funcionamento dos caixas eletrônicos até às 22h, e o sequestro relâmpago miou.

Teve também a moda de clonar celular. Mas aí a Vivo, que foi a última, finalmente se ligou, aderiu à tecnologia de chip e a clonagem de linhas móveis ficou sem rede para atuar.

A moda agora é roubar o aparelho. Quer dizer, a moda já é velha, mas continua um negócio extremamente lucrativo. E o melhor – lucrativo para todo mundo: o ladrão, o futuro comprador, as operadoras e as fabricantes.

O único prejudicado é o cliente original, claro, aquele que teve o aparelho furtado e que, como não quer nem perder a linha, nem deixar de ter celular em pleno mundo moderno, se manda a comprar um novo chip e um novo aparelho.

Já o ladrão ganha podendo revender um dos bens mais desejados da atualidade (o celular já é o produto mais vendido no Brasil até em dia das crianças) e o seu comprador – provável espécime do recém-chegado à classe média com um pouquinho de dinheiro e muitos planos de consumo – vai finalmente poder adquirir aquele celular mp3, 4 e 5 com rádio-tv-foto para colocar os dois chips pré-pagos que comprou por 15 reais na barraquinha do shopping. A operadora, por fim, não perde o cliente velho e ganha um cliente novo, e a fabricante, de quebra, vende mais um aparelho.

Sobre isto, você sabia que:

1. existe uma tentativa de seguro para celulares? Mas ela é mais roubada do que o roubo em si, e operadoras como TIM e Claro já até desistiram de oferecer o serviço. A Vivo segue com um parceria com a Mapfre. Custa a partir de R$3 por mês, mas só rende um aparelho novo quando houver provas de que você ou o local onde estava seu celular foram agredidos.

2. quando seu celular é roubado ou perdido, você tem a opção de bloquear não só a linha, mas também o aparelho? Sua operadora já te disse isso? Ao bloquear o aparelho, todas as funções dele ficam inutilizadas, independente de virem a colocar um novo chip ou não, e perde o uso pra qualquer idiota que acabar com ele na mão depois. Para fazer isso, é necessário ter o código do aparelho, um número pouco divulgado que é encontrado apenas na caixa de origem ou no próprio celular – basta digitar *#06# e aparece do nada um numerão de 15 dígitos na tela. É ele! Tatue-o no corpo e não o perca mais.

3. no Rio de Janeiro, em setembro, foi promulgada uma lei que obriga a operadora a dar um novo celular ao cliente em caso de perda, roubo ou furto? Caso contrário, a companhia não pode obrigá-lo a continuar como cliente e nem cobrá-lo multa em caso de rescisão. O Ministério Público fluminense entendeu que “é inegável que a situação ocasiona onerosidade excessiva para o consumidor“.

Ou seja. Solução há. Como os bancos fizeram com sequestros, e as próprias operadoras com clonagem, se o bloqueio de aparelho fosse difundido, os celulares de camelô comprados pelos espécimes da classe média não iam funcionar, os espécimes da classe média iam deixar de comprá-los, os camelôs iam deixar de revendê-los, os ladrões iam deixar de fornecê-los e, portanto, iam deixar de roubá-los. E assim, o furto de celular entraria para a mesma categoria das carteiras: furo n’água.

E se decisões como a do Ministério Público do Rio de Janeiro fossem para o resto do país, e as operadoras começassem a ter que dar um aparelho novo ou perder um cliente a cada celular roubado, e isso, portanto, começasse a lhes dar prejuízo, elas provavelmente divulgariam com mais afinco os mecanismo de bloqueio de celular. E, se os celulares roubados fossem bloqueados, os espécimes da classe média deixariam de comprá-los, os camelôs deixariam de revendê-los… e por aí vai a cadeia.

Mas cadeia nunca foi mesmo o nosso forte.

E a década vai para…

4 de janeiro de 2010

Capitão Nascimento, Johnny e Dadinho-é-o-caralho podem achar que roubaram a cena,
mas o destaque do cinema nacional foi mesmo para os documentários

 

 

 

A certa altura dos anos estava convencionado chamar o cinema brasileiro pós-Central do Brasil (1998) de “fase da retomada”.

Dando uma forçada de barra para dizer que a tal fase se consolidou a partir dos anos 2000 (mesmo já vindo desde os Carlotas Joaquinas e seus anos 90), e tomando a atual virada de década como fato que realmente muda alguma coisa, podemos fazer um balanço do legado deixado pela sétima arte nacional em seus primeiros dez anos de vida no século 21.

As produções, em volume e qualidade, de fato extrapolam de longe o que foi feito na década de 90 – algumas foram sucesso de público outrora impensáveis para um filme brasileiro: Carandiru (2002), Cidade de Deus (2003),  Tropa de Elite (2007) e  Meu Nome Não é Johnny (2008) são apenas alguns exemplos; já excluídas extensões de novela das sete como Sexo, Amor e Traição (2004) e Se Eu Fosse Você (2006-2008).

Ainda assim parece que se produziu, produziu, produziu, e ainda falta alguma coisa. Seja transcender a temática-síndrome-da-miséria, que só transita o cenário entre nordeste, favela e presídio; seja a qualidade técnica ainda pobrinha (Troféu Década para Cidade de Deus, que foi o único filme com cara de filme de verdade, e não de filmagem na garagem de casa); seja na sensibilidade do roteiro – a velha e boa comoção que, no fim, é a expurgação a que todos procuramos no cinema ou em qualquer arte e que, parece, depois das lágrimas de Fernanda Montenegro ao som dos violinos de Central do Brasil, nunca mais foi reproduzida com tanto talento.

Mas, enquanto isso, no lado B dos filmes que já são feitos sabendo que não terão grande público, um gênero se destacou tirando 10 em praticamente todos os trabalhos que entregou: os documentários.

Desde o comecinho, com Janela da Alma e Edifício Master (2002), até o último deles, Entre a Luz e Sombra (trajetória de dois presidiários do Carandiru lançada na última semana de novembro, 2009), uma sucessão de filmes extraordinários foi colocada à disposição do público ao longo dos anos 00.


O tudo, o nada e Coutinho

Edifício Master
, de Eduardo Coutinho, não só foi um dos primeiros, como provavelmente deve permanecer até hoje, em seu oitavo aniversário, o top-of-mind em documentários brasileiros. Com a proposta de adentrar o prédio situado em Copacabana e bater aleatoriamente n’algumas das 276 portas, Coutinho e sua ótima lábia para discorrer sobre o nada conseguem histórias que vão do incrível ao emocionante, e chegam talvez ao que mais se aproxime do documentário em sua essência: a realidade por ela mesma.

E este foi apenas o começo do milênio para o cineasta. Em 2004 volta com Peões, uma bela busca, mesmo que quase partidária, por operários anônimos que lutaram ao lado de Lula nas greves de 80; em 2007 lança O Fim e o Princípio, em que se propõe a entrevistar sem tema nem porque moradores de um vilarejo da Paraíba e termina por revelar um universal medo da vida e da morte; até culminar em 2007 – Troféu Década para ele – com Jogo de Cena, um dos melhores nacionais dos anos 00.

Com um proposta no mínimo inusitada e com certeza inovadora, Jogo de Cena mescla depoimentos de mulheres comuns ao de atrizes consagradas – Andréa Beltrão, Fernanda Torres e Marília Pêra, só para esnobar. Os depoimentos, no entanto, começam a ser repetidos pelas diferentes mulheres, famosas ou não, no pormenor do detalhe de cada vírgula, e leva até o fim a confusão de não saber mais quem está interpretando, quem está falando a verdade e que tanta diferença faz uma história universal ser verdadeira ou não. (ou isso).


Da música ao didatismo
Sabe-se lá por que cargas d’água o Brasil resolveu bater na tecla de seus músicos nessa década, mas o tema foi recorrente. Começou com a profundidade do silêncio de Nelson Freire (2003), rendeu dois filmes sobre Bossa Nova no mesmo ano – Coisa Mais Linda e Vinicius (2005) -, homenageou Bethânia em Música é Perfume (2005), e foi desbundar descaradamente em 2009.

Troféu Década para dois deles: Simonal, que, sem santificar, redime, humaniza e reergue o famoso cantor da década de 60 jogado ao ostracismo perpétuo depois de não saber brincar na ditadura; e Lóki, a triste-bonita história do também esquecido Arnaldo Baptista, mentor dos Mutantes relegado a um aparente desequilíbrio mental e à sombra de sua primeira-eterna namorada, Rita Lee.

Caetano Veloso, Titãs, Paralamas do Sucesso e até Waldick Soriano foram os outros que receberam filme próprio em 2009.

Para além da música, houve ainda a série de documentários quase didáticos, mas surpreendentemente emocionantes e atemporais em seu microuniverso retratado: caso de Raízes do Brasil (sobre Sérgio Buarque de Hollanda, 2004), Vlado – 30 Anos Depois (Vladmir Herzog, 2005), Três irmãos de Sangue (Betinho, Henfil e Chico Mário, 2007), e A Vida é Um Sopro (2007), sobre Niemeyer falando da brevidade da vida em plenos 100 anos recém-completos.

 


And the winner is…
Em segundo, a catadora de lixo meio louca, meio filósofa, meio cheia, meio vazia, Estamira (2005).

Meio louca de verdade, Estamira mora num lixão do Rio de Janeiro de onde brada, brava com a humanidade, profecias malucas e, aos déficits de atenção do telespectador, incompreensíveis. “Isso aqui é um depósito de restos. Às vezes é só resto. Às vezes é também descuido”, diz. “Não existem mais inocentes, mas espertos ao contrário”, diz também.

A imagem de uma louca, num lixão, é o cúmulo da metáfora da exclusão. Mas mais do que a exclusão em si e o pedantismo social de querer corrigi-la, ou dos impropérios assutadoramente lúcidos de Estamira, o documentário de Marcos Prado é sobre as razões que, afinal, terminam por levar as pessoas aos lixos e às loucuras.

Por fim, Troféu Década de Ouro para o documentário que era para ser sobre um mordomo, não deu certo, e acabou por ser um documentário sobre um documentário que não deu certo e a arrogância-inexperiência-inocência do cineasta-jovem-patrão que acabou por deixá-lo de lado: Santiago (2007).

João Moreira Salles, quando era 1992 e tinha 29 anos, resolveu filmar uma serie de depoimentos de Santiago, um senhor argentino que havia sido o mordomo da mansão dos Salles nos anos idos. As imagens ficaram intocadas até 2007, quando João as reassistiu, se achou ridículo, e resolveu retomá-las pelo novo viés.

Santiago leva o Troféu Década não porque a crítica o vangloriou como uma das melhores e mais honestas produções nacionais dos últimos tempos; nem pela sensibilidade incompreendida de Santiago, Estamira ou a poesia de qualquer um de seus pares anônimos; nem pelo potencial de sucesso de público que poderia ser.  Santiago, como é da natureza de documentários e filmes brasileiros, não é um sucesso de público.

Santiago alcança e comove apenas um parcela pequeninha da sociedade, que frequenta três ou quatro ruas definidas do centro expandido das grandíssimas cidades e acha que nestes espaços está consumindo cultura, produzindo opinião e, com isso, sintetizando a humanidade.

Santiago não é um filme sobre um mordomo, nem mesmo sobre um documentário, tão pouco um documentarista. Santiago é sobre a pretensa e ridícula superioridade do público que o aplaude.


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Made in Brazil

 

Hollywood e o fim dos anos 1000

31 de dezembro de 2009

Com Carlos Valim

Os anos 2000 mal completaram sua primeira década e já esboçam as primeiras rupturas sócio-políticas e culturais que deverão ser estudadas mais tarde, como hoje o são as grandes navegações, o império turco otomano ou a Odisseia. São estes os elementos que diferenciam os anos 2000 de seus predecessores, os anos 1000.

Com uma lupa, é possível detectar a (re)virada de milênio por meio do cinema, e na forma como as temáticas e estéticas são abordadas na sétima arte (só sete artes é uma coisa tão anos 1000!).

No mais das vezes, trata-se de novas linguagens que são descobertas, usadas excessivamente na sequência até que uma produção use os recursos demais ou os ridicularize de vez, exaurindo assim o modelo em questão e servindo de estopim a outras linguagens.

Os gêneros foram dividos em posts e dias. Acompanhe a palpitante série ao longo da semana.

Veja a programação:

Segunda: Animações
Terça: Fantasia

Quarta: Guerras
Quinta: Heróis
Sexta: Psicopatas

1. Hollywood e anos 1000: Animações

31 de dezembro de 2009

Em 1939 a Disney faz A Branca de Neve e inaugura o gênero em longa-metragem, passam 60 anos, surgem a Dreamworks e a Pixar, acabam com o monopólio do primeiro estúdio, os desenhos se libertam dos contos de fada, começam a ter roteiros originais, Shrek zoa o barraco em 2001 e nunca mais se faz história do tipo Meg Ryan pra criança (veja mais em “Infância, Walt Disney e velhice“)


Ãhn?!:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações
2. Fantasia

3. Guerras

4. Heróis
5. Psicopatas

2. Hollywood e anos 1000: Fantasia

31 de dezembro de 2009

Com Carlos Valim

O incrível mundo de FaunoDepois (muito depois!) de clássicos como Mágico de Oz (1939) e História sem fim (1984), os filmes de fantasia (filmes mesmo, desenho não vale) resolveram ser moda nos primórdios dos anos 2000. Alguém achou que era legal transformar saga literária em 20 horas de película e saiu fazendo as franquias de Harry Potter (1997 –  ad eternum) e Senhor dos Anéis (2001 – 2003). Estas, por sua vez, levaram a outras que já não deram muito certo, como As Crônicas de Nárnia (série que estreou em 2005, teve o segundo filme exibido só nos cinemas dos eua e o terceiro abandonado pela Disney, estúdio responsável).

É que aí, no meio, veio O Labirinto de Fauno (2006), do mexicano Guilhermo del Toro (filme de mexicano cair no main stream já é uma coisa bem 2000’s), que mostrava uma menininha explorando um mundo fantástico sombrio que, no fim, era só sombrio mesmo. Então quem assistiu viu que não colava mais essa coisa de sonhos e sagas em mundo de elfos e a febre do gênero voltou à temperatura normal.

Hoje, qualquer um minimamente cinéfilo está aguardando o Alice no País das Maravilhas do Tim Burton (dono de um mundo fantástico inteiro só dele). Mas – todos conhecemos a história – notem que Alice, diferente dos temas de honra, irmandade ou sabedoria em um mundo fictício mas pretenso a real, questiona a falta de sentido em si, seja a dimensão em que se passa fantástica ou comum.

O único que curiosamente chegou mais perto dessa abordagem menos medieval e mais pós-freudiana foi, acreditem, O Mágico de Oz, lá em 39. Mas, atentem: os livros que deram origem a cada um são, respectivamente, de 1865 e 1900.

Como?:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações
2. Fantasia

3. Guerras

4. Heróis
5. Psicopatas

3. Hollywood e anos 1000: Guerras

31 de dezembro de 2009

Com Carlos Valim

"O Jardineiro Fiel": guerra sem campo de batalhaHouve um tempo – e esse tempo não durou pouco – em que 2ª Guerra Mundial, Nazismo e Holocausto eram temas cativos, certos de sucesso-bilheteria-comoção e, com sorte, de Oscar!

Apenas entre os vencedores de Melhor Filme do careca de ouro citam-se dez nos 60 anos desde a guerra: Rosa da Esperança (1942), Casablanca (1943), Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946), A Um Passo da Eternidade (1953), A Ponte do Rio Kwai (1957), A Noviça Rebelde (sim, até ele! 1965), Patton (1970), O Último Imperador (1987), A Lista de Schindler (1993) e O Paciente Inglês (1996).

Só para título de curiosidade-comparação, apenas um dos 80 contemplados até hoje foi sobre a guerra do Vietnã, O Franco Atirador (1978)

Daí, no cinema, O Paciente Inglês não só encerrou o tema na lista de vencedores do prêmio, há 13 longos anos, como foi também um dos últimos títulos sobre o assunto que tiveram a honra de entrar no tapado campo de visão dos velhinhos eleitores da Academia. Dois anos depois, ficou quase ridículo: dos cinco indicados à categoria premium, três eram sobre a guerra da década de 40: O Resgate do Soldado Ryan, Além da Linha Vermelha e A Vida é Bela (com todo aquele final descarado do tanque estadounidense vindo salvar o menininho e a Europa). Dali pra frente, 2ª Guerra miou de vez.

A título de curiosidade também, ficou mais chato ainda quando se percebeu que os outros dois indicados daquele 1998, Elizabeth e Shakespeare Apaixonado (o mais despolitizado de todos e grande vencedor), eram sobre a Inglaterra quinhentista e mostravam o quanto os eua estavam indo longe demais em não se preocupar com sua atualidade (acabaram tomando aviãozada. bem feito.)

Pois depois da aviãozada, no famigerado 11/09, os eua acharam por uns minutinhos que ainda podiam usar desculpas esfarrapadas para invadir países (arma biológica escondida no Iraque? pra cima de nóis?!), invadiram, os planos não saíram muito como desejavam, a popularidade do país do pop virou piada e terminou com todo o mundo achando legal tacar sapato no presidente.

Com o início dos anos 2000, muito pouco mais saíram de Hollywood filmes sobre as guerras mundiais todas as duas. Claro. Fazer filme vangloriando ideologia de front ficou chato. Ninguém mais achava os eua bacanas por fazerem guerra, então melhor abafar o caso antes que comecem a chacotear o heroísmo pós-Segunda-Guerra também.

Não que o gênero, filmedeguerra, tenha acabado. Mas finalmente superou as batalhas da primeira metade do século e o euro-eua-centrismo. Citam-se: Falcão Negro em Perigo (2001), Hotel Ruanda (2004), Jardineiro Fiel (2005), Diamante de Sangue (2006) e Babel (2006).

Aponta-se: O primeiro se passa na Somália, o segundo em Ruanda, seguidos, na ordem, por Quênia, Serra Leoa e Marrocos. E, claro, muitos nem sabem que são gênero de guerra. Mas, na África, “guerra” é um conceito que vai além de sangue, lutinha e troca de tiro entre dois times de soldados num campo aberto como tipos de batalhas que levam à morte.

Aos poucos, o hemisfério sul começa a ser descoberto. (E as Olimpíadas de 2016 que o digam)


Por que???:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações
2. Fantasia

3. Guerras

4. Heróis
5. Psicopatas

Com Carlos Valim

"O Jardineiro Fiel": guerra sem campo de batalhaHouve um tempo – e esse tempo não durou pouco, não – em que 2ª Guerra Mundial, Nazismo e Holocausto eram temas cativos, certos de sucesso-bilheteria-comoção e, com sorte, de Oscar!

Apenas entre os vencedores de Melhor Filme do careca de ouro citam-se dez nos 60 anos desde a guerra: Rosa da Esperança (1942), Casablanca (1943), Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946), A Um Passo da Eternidade (1953), A Ponte do Rio Kwai (1957), A Noviça Rebelde (sim, até ele! 1965), Patton (1970), O Último Imperador (1987), A Lista de Schindler (1993) e O Paciente Inglês (1996).

Só para título de curiosidade-comparação, apenas um dos 80 contemplados até hoje foi sobre a guerra do Vietnã, O Franco Atirador (1978)

Daí, no cinema, O Paciente Inglês não só encerrou o tema na lista de vencedores do prêmio, há 13 longos anos, como foi também um dos últimos títulos sobre o assunto que tiveram a honra de entrar no tapado campo de visão dos velhinhos eleitores da Academia. Dois anos depois, ficou quase ridículo: dos cinco indicados à categoria premium, três eram sobre a guerra da década de 40: O Resgate do Soldado Ryan, Além da Linha Vermelha e A Vida é Bela (com todo aquele final descarado do tanque estadounidense vindo salvar o menininho e a Europa). Dali pra frente, 2ª Guerra miou de vez.

A título de curiosidade também, ficou mais chato ainda quando se percebeu que os outros dois indicados daquele 1998, Elizabeth e Shakespeare Apaixonado (o mais despolitizado de todos e grande vencedor), eram sobre a Inglaterra quinhentista e mostravam o quanto os eua estavam indo longe demais em não se preocupar com sua atualidade (acabaram tomando aviãozada. bem feito.)

Pois depois da aviãozada, no famigerado 11/09, os eua acharam por uns minutinhos que ainda podiam usar desculpas esfarrapadas para invadir países (arma biológica escondida no Iraque? pra cima de nóis?!), invadiram, os planos não saíram muito como desejavam, a popularidade do país do pop virou piada e terminou com todo o mundo achando legal tacar sapato no presidente.

Com o início dos anos 2000, muito pouco mais saíram de Hollywood filmes sobre as guerras mundiais todas as duas (Guerra Mundial e briga de sistema político. Taí um conceito bem anos 1000). Claro. Fazer filme vangloriando ideologia de front ficou chato. Ninguém mais achava os eua bacanas por fazerem guerra, então melhor abafar o caso antes que comecem a chacotear o heroísmo pós-Segunda-Guerra também.

Não que o gênero, filmedeguerra, tenha acabado. Mas finalmente superou as batalhas da primeira metade do século e o euro-eua-centrismo. Citam-se: Falcão Negro em Perigo (2001), Hotel Ruanda (2004), Jardineiro Fiel (2005), Diamante de Sangue (2006) e Babel (2006).

Aponta-se: O primeiro se passa na Somália, o segundo em Ruanda, seguidos, na ordem, por Quênia, Serra Leoa e Marrocos. E, claro, muitos nem sabem que são gênero de guerra. Mas, na África, “guerra” é um conceito que vai além de sangue, lutinha e troca de tiro entre dois times de soldados num campo aberto como tipos de batalhas que levam à morte.

Aos poucos, o hemisfério sul começa a ser descoberto. (E as Olimpíadas de 2016 que o digam)

Por que???:
Anos 1000
Hollywood e o fim dos anos 1000
1. Animações
2. Fantasia