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Forças ocultas

9 de dezembro de 2015

Juliana Elias

Nos 69 anos desde 1945, fim do Estado Novo, o Brasil teve 16 mandatos presidenciais (considerando-se por mandato o período previsto por lei para o início e o fim da gestão corrente). A duração prevista dos mandatos variou de quatro a seis anos.*

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Revolucionários de bolso

7 de abril de 2015

Juliana Elias

diretas ja

Campanha pelas Diretas Já, em 1984

O país está uma bagunça. Dos quebradores de bancos às paradas pelo impeachment, algo acontece desde junho de 2013, quando os primeiros estudantes angariaram uma multidão nacional contra um aumento de passagem, que as pessoas parecem subitamente determinadas a resolver todos os problemas brasileiros de uma vez.

Teria um súbito senso de justiça assolado a população? Teriam agora esses problemas – transporte? corrupção? violência? saúde-educação? – atingido o limite do intolerável, como se de fato existisse um limite abaixo do qual os mesmos problemas pudessem existir sem serem igualmente intoleráveis? Ou seria mesmo apenas uma questão de tempo até esgotar a paciência?

Pode ser. Mas eu arrisco uma outra explicação: o bolso. É como se o panelaço contra a corrupção ou a reivindicação por transporte melhor fossem apenas o detalhe da foto, e um “zoom-out” que pegue o quadro completo mostra com facilidade que há um padrão que se repete em todas as revoluções, mesmo que as bandeiras de cada uma sejam completamente diferentes ou até opostas. E essa semelhança está diretamente ligado às condições econômicas do país e, portanto, à qualidade de vida das pessoas.

E eu desenhei.

pib per capita x revoluções

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O gráfico mostra a evolução do nosso PIB per capita cruzada com as principais rupturas da história política nesse período. A série foi extraída da base oficial de dados do Ipea (para encontrá-la, busque por “PIB per capita a preços de 2013”). É como se expandíssemos o zoom dessa fotografia de 2015 para até 1901. A conclusão é duplamente verdadeira: não há grande mudança política que não tenha acontecido no rastro de uma queda na renda, tanto quanto não houve período minimamente prolongado de queda na renda que não tenha levado a uma mudança na ordem política. Leia mais…

– Me ensina, por favor.

23 de junho de 2013

E então, não mais que de repente, num espaço intergaláctico de sete dias, o que era “vem pra rua, vem – pelo aumento”, tornou-se “vem pra rua, vem – contra o GOVERNO”. O nosso velho e bom “o povo unido jamais será vencido” tinha se mutado para “o povo unido não precisa de PARTIDO”. E o que começou como um protesto pelo aumento do ônibus, em São Paulo, se espalhou pelo país todo, passou para uma espécie de grande movimento ecumênico abarcador de todas as indignações até, finalmente, descambar para um vale-tudo de vontades liderado pelo mote “FORA DILMA” aspirante a impeachment com viés de golpe.

Amparado, vá lá, por outros foras também – “fora renan calheiros”, “fora alckmin”, “fora ronaldinho” (oi?), “fora nome-do-politico-que-lhe-convier”! Mas ela, a presidente, é a maior, por força de lei. Então será também a maior, por força de protesto.

Bem, em eu não sendo nem contra a Dilma, nem contra o Haddad,nem contra o Alckmin, nem contra o Ronaldinho, (contra o Renan há restrições, vá lá), nem contra os partidos, nem contra a instituição de um governo, nem contra qualquer coisa que tenha sido formada, eleita e mantida no poder legitimamente – já incluindo discordâncias diversas que tenho a políticas e escolhas de cada um deles, todas dentro ainda do mesmo processo democrático -, voltei às ruas mais uma vez. Dessa vez, porém, não para protestar. Mas sim para tentar entender Leia mais…

A ticket to ride

10 de junho de 2013
Pq. do Ibirapuera, ponto de ônibus (março/2010)

Pq. do Ibirapuera, ponto de ônibus (março/2010)

Ok. Eu fui estudar. O aumento de 20 centavos, de R$ 3,00 para R$ 3,20, dado a ônibus, metrôs e trens da cidade de São Paulo no último 1º de junho, significa 6,6% a mais. A integração – quer dizer, quem pega metrô e ônibus seguidos – subiu um pouco mais: 7,5%, ou 35 centavos, de R$ 4,65 para R$ 5. Quem, portanto, está no pior dos mundos – ou seja, que usa a integração, duas vezes por dia, trinta dias por mês -, passa a gastar R$ 21 a mais por mês.

Bem. As tarifas, como bem sabemos, ficaram devidamente congeladas por dois anos até as eleições do ano passado, e não eram mexidas desde janeiro de 2011. De lá para cá, a inflação acumulada no país foi de 15% pelo IPCA, o índidce oficial do IBGE. Ou seja, com 15% mais, a tarifa já deveria estar custando R$ 3,45.

Isso nem considera o aumento do poder de compra, quer dizer, da renda das pessoas – justamente uma das principais coisas, além do tomate, que puxaram a inflação dos últimos tempos para cima. A mão de obra, pelo mesmo índice que subiu 15% em dois anos e meio, subiu 10% só no úlitmo ano. O salário das empregadas domésticas, graçasadeus, aumentou 11%. E os serviços – que incluem o boteco, o restaurante, a manicure, o encanador, o motorista e portanto a receita destes pequenos estabelecimentos todos – estão em média 8,5% mais caros que no ano passado, bastante acima da inflação total, que é de 6,5%.

O salário mínimo, que em janeiro de 2011 era de uma miséria de R$ 540, hoje é de uma miséria + R$ 138, ou R$ 678, ou 25,5% mais, ou três vezes o reajuste da integração. Isso significa que Leia mais…

Novelas, mulheres e idade

30 de janeiro de 2013
Avenida Brasil

Adriana Esteves, 41, como mãe de Cauã, 32.

Assistir novelas, quando você não é nem assíduo, nem grande potencial de público alvo do gênero, pode ser uma aventura.

Desde o advento da Internet, praticamente rompi o meu relacionamento sério com a TV e muito poucas vezes volto a ela desde então. Daí, talvez, me embasbacar com algumas coisas como se elas não tivessem estado aí desde 1500, acaso Pedro Álvares já tivesse trazido TVs para trocar por Pau-brasil.

Outro dia foi com uma ceninha boba da atual novela das oito (não vou nunca conseguir de chamar de “das nove”!), “Salve Jorge”. Nela, uma Cléo Pires estonteante de óculos escuros passeia pelo Leblon (com certeza era o Leblon) e tromba com uma espivitada Cissa Guimarães, numa ensolarada tarde de um dia de semana qualquer em que, naturalmente, nenhuma das duas tinha o que fazer (já notou como novela não tem diferenciação de dia de semana para fim de semana? Tanto faz o dia porque, salvo os personagens do núcleo pseudo-pobre que têm um bar – sempre tem esse núcleo -, ninguém trabalha. Homens são donos de empresas para onde nunca vão e esposas passam o dia à mesa do café, almoço ou lanche da tarde).

Bem. Cléo e Cissa, amissíssimas, optaram por passear pela praia do Leblon e sentar para tomar uma água de coco. Cléo, que na novela chama Bianca, tinha acabado de abandonar um marido e chegar da Turquia. “E por que?!”, pergunta Cissa. “Olha, teve uma hora que eu me vi me forçando a gostar de varrer uma casa!”, responde a linda e emancipada Cléo Leia mais…

Atenção, mundo: as crianças vão crescer

31 de agosto de 2011


O  vídeo foi feito no início do ano pela agência inglesa PHD. Intitulado “We are the future”, ou “Nós somos o futuro”, mostra uma série de crianças-pre-adolescentes falando, em resumo, que em 10 anos elas terão crescido e dominado o mundo (que é o que fazem, no fundo, todas as gerações com 10 anos de idade quando chegam aos 20).

Foi feito para ser exibido e discutido em congressos publicitários, mas acabou chegando às redes sociais e se dividindo entre encantar e horrorizar.

Encantar porque escancara sem nenhum melodrama juvenil (salvo a irônica musiqueta de fundo) a já chamada “geração Z” – nascida de 1990 pra cá e que  sucede a ainda nem desvendada geração Y (os jovens hoje de 20 a 30 anos).

Mas horrorizou pelo ar quase tétrico de suas criancinhas nem bonitas e um tanto inquisidoras na hora de apontar o dedo para os fazedores de marketing. “Nós não vamos apenas assistir seus anúncios, mas vamos esperar conteúdo inteligente e personalizado baseado.. em mim.. em mim.. e em mim!,” elas dizem. “E não ultrapassem os limites”, dizem ainda. “Ou então iremos te bloquear.”

O negócio ganhou até uma reposta irônica, com Tom Hanks, Penelope Cruz e tudo, Leia mais…

Titles – O moralismo e a incrível indústria da tradução de títulos de filmes

18 de agosto de 2011

Juliana Elias.
Com Carlos Valim 

Que o Brasil sempre foi um tanto quanto desastrado na hora de traduzir os títulos de filmes lançados aqui, todos já sabemos.

Dos anos 80 para frente, principalmente – quando não só o mundo ficou naturalmente cafona, mas também o cinema, misturado ao recém-criado videocassete, se popularizou como programa-pipoca de massa – foi uma enxurrada. Num misto de livre adaptação, licença poética e uma mania tupiniquim de explicar tudo, alguns se tornaram pérolas clássicas.  Casos como Loucademia de Polícia (ou só Police Academy, 1984), Apertem os Cintos o Piloto Sumiu (ou Airplane, 1980) e o imbatível Meu Primeiro Amor (que, quando chegou no My Girl 2, 1994, virou Meu Primeiro Amor 2! Oi?).

Mesmo os pretensos a sérios padeceram do mal, como o mirabolante Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977), Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003) e o coitado do Amor sem Escalas (Up in ther Air, 2009), que fez um monte de rapazes perderem um ótimo filme por acharem que fosse uma comédia romântica.

Bastante gente já escreveu sobre isso, como o CinePop, que arriscou um ranking dos melhores (ou piores, claro), e este quase-glossário com todas as livres adaptações e o que seriam suas traduções literais.Mas, pinçando um período anterior a isso, e de traduções igualmente autônonomas e infelizes – algo entre os anos 40 e 60 -, uma coisa nos chamou enormemente a atenção: um rançoso e insistentemente recorrente toque de moralismo. São títulos que chegaram aqui, sem nenhum razão de ser em sua origem, Leia mais…